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domingo, 14 de outubro de 2007

Tropa de Elite

Um dos filmes mais esperados e polêmicos do Brasil, finalmente lançado em Porto Alegre, Tropa de Elite retrata o dia-a-dia de uma tropa especial da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, o BOPE - Batalhão de Operações Especiais - além de um pouquinho da corrupção existente naquela Polícia e o treinamento especializado que os aspirantes ao BOPE recebem. Ficção ou realidade? Infelizmente, imagino que é um pouco de cada...

Nascimento é o personagem principal. Vivido pela estrela maior da dramaturgia brasileira, o baiano Wagner Moura, o Capitão Nascimento é o responsável por boa parte das operações executadas nos morros da capital fluminense, a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. Também é responsável por treinar uma turma de aspirantes. E é dessa turma que pretende retirar seu substituto. Paro aqui a história, para que possas vê-la com teus próprios olhos.

É um triller excitante, que prende o espectador na poltrona. Tenso. Real. Forte. Agressivo. Humano.

Cenas de violência, abuso de poder, tráfico e consumo de drogas, chantagem, corrupção e, sobretudo, da vontade de resolver os problemas sociais (e policiais) da maior atração turística do Brasil. Não sei se essa é a melhor forma de resolver estes problemas. Na verdade, tenho certeza de que não é.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

CPMF

Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira ou simplesmente CPMF. Este é o nome do tributo mais famoso do Brasil. Sobre qualquer movimentação financeira realizada por intermédio de bancos - saques, transferência, pagamentos, aplicações, investimentos, empréstimos, etc. - o brasileiro paga 0,38% sobre o valor. Irrisório, quando pensamos na alíquota. Mas significativo quando vemos as brigas, disputas e negociações geradas no Congresso Nacional para sua manutenção na carga tributária.

Criada originalmente sob o nome de Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira - IPMF - com o objetivo de gerar recursos públicos para serem aplicados em saúde, com alíquota de 0,25%, durou um ano, o de 1994. Logo em seguida, em janeiro de 1997 e com duração de dois anos, surgiu como CPMF. Após novo intervalo, porém mais curto, ressurgiu das cinzas em 1999 e vigora ininterruptamente desde então, com elevação da taxa para 0,38%, recúo para 0,30% e novo aumento para 0,38%. Hoje estima-se que o brasileiro trabalha uma semana inteira por ano apenas para pagar esse tributo.

E após rodadas vergonhosas de negociatas e criação e nomeação de cargos públicos, os deputados federais aprovaram-na sem restrições. Se o Senado Federal também o fizer, ficaremos até o ano de 2011 reféns dessa cobrança que agora, além do Fundo Nacional de Saúde, é também recolhida para o Fundo de Combate à Pobreza.

Resta a esperança de que a pobreza seja exterminada do país, assim como a saúde teve um crescimento vertiginoso na sua qualidade de serviço prestado e população atendida. A prova disso é que a classe média brasileira continua, ano após ano, a preocupar-se em manter convênios de saúde particular para não depender das intermináveis e inócuas filas do Sistema Único de Saúde, o falido sistema de saúde que atende ao povo brasileiro.

sábado, 22 de setembro de 2007

Revolução Farroupilha II

A Revolução Farroupilha tem aspectos ímpares.
Um dos que sempre friso quando estou em Portugal e acho que nós nem pensamos sobre isso, é que devemos ser um dos únicos povos do mundo que festeja a sua independência estando incorporados numa Federação que lutou contra nós.
Nós festejamos sem nos importar com nossa integração num todo maior.
E o todo respeita tanto as nossas tradições que não levanta objecções - ou se levanta não as revela.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Revolução Farroupilha


Buenas... Já que é para começar, vamos lá, vivente. Estamos aqui para falar de tudo o que acontece além-mar, ou seja, informar, de dois extremos do Oceano Atlântico, aquilo que está ocorrendo do lado de cá, para que chegue ao lado de lá!

E no momento, hoje, exatamente, o Rio Grande do Sul está em festa. Feriado cívico. Trata-se do 20 de Setembro. Há exatos 172 anos, o povo riograndense pegou em armas e revoltou-se contra o então Império Brasileiro. Sob o comando de Bento Gonçalves da Silva, um grupo de gaúchos da região sul do estado, a região mais desenvolvida daquela época, iniciou um protesto contra os governantes que acabou culminando numa revolução e na proclamação da República Rio-Grandense, já no ano seguinte.

A verdadeira história da revolução (dentro do que é possível tentarmos definir como "verdadeira") mostra que os rebeldes do início eram os ricos estancieiros, criadores de gado e proprietários de fazendas de charque (carne conservada em sal), as charqueadas. Acontece que por aqueles idos de 1835, o Império Brasileiro, representado por Dom Pedro II, ainda imberbe, na prática governado por regentes eleitos junto à corte, aumentava significativamente as taxas sobre o charque gaúcho. Enquanto isso, o charque platino, oriundo dos países vizinhos (República Argentina e República Oriental del Uruguay, situados às margens do Río de la Plata), ingressava no Brasil com preço inferior ao praticado pelos gaúchos. Portanto, nenhuma novidade na América Latina de 172 atrás, governada por corruptos e liderada por ricos estancieiros (hoje, industriais).

Apesar dos interesses particulares de um pequeno grupo de fazendeiros-latifundiários-escravagistas-comerciantes, a revolução teve seu lado positivo (incrível termos visões positivas de uma guerra. não?) que foi a união do povo gaúcho em torno de suas culturas e tradições, dos seus brios e valentias. Foram 10 anos de batalhas pelo solo gaúcho e catarinense, onde republicanos e imperiais se enfrentaram em pelo menos 118 ocasiões "oficiais". E mesmo com contingente bastante maior, os imperiais necessitaram de 10 anos para neutralizar a força que brotou desse chão. Reforçado por índios e escravos, os farroupilhas mostraram todo seu poder agregador (através de promessas de libertação de escravos negros, por exemplo, idéia nunca imaginada antes nessas paragens e bastante controversa entre os próprios revolucionários. Bento Gonçalves dispunha de um escravo particular para afeitá-lo nos acampamentos) e força tática e física, para incomodar (e muito) o poder central do império.

Mas hoje, após estes 172 anos, o gaúcho do Rio Grande aprendeu a unir-se, apesar de suas históricas polarizações. Sejamos maragatos ou chimangos, direitistas ou esquerdistas e até mesmo gremistas ou colorados, o fato é que o Rio Grande do Sul tem um só povo, unido em ideais e tradições. Até mesmo a Leal e valerosa cidade de Pôrto Alegre, honra recebida pelo próprio imperador Dom Pedro II, por nunca ter sido infiel ao império nos 10 anos de guerra, é idolatrada nas comemorações farroupilhas. A sempre resistente cidade manteve-se ao lado do império e hoje é o centro das comemorações que marcam anualmente esta terra maravilhosa.

Podemos não ter tido o êxito premeditado (nem tão premeditado assim) de criar um novo país. Mas, com certeza, uma nova nação originou-se daqueles anos tristes e duros de guerra, onde um bravo e heróico povo surgiu das chagas deixadas pela Revolução Farroupilha. Foi ali que começamos a conhecer o gaúcho riograndense, que difundiu seus hábitos (churrasco de carne gorda e um bom mate), suas culturas, seus princípios morais e justos.

Um viva à Revolução Farroupilha, à República Rio Grandense, ao 20 de Setembro e 1835 e ao povo gaúcho, tchê!